Andando pela vida ontem, vi essa bicicletinha rosa estacionada na beira de uma praia. Quis registrar a beleza dela. Sei lá, achei simples e com uma cara de sossego. Não o sossego de quem “tá com a vida ganha”, como se não houvesse preocupação alguma, mas o sossego de quem confia nessa aleatoriedade inteligente queContinuar lendo “a vida presta”
Arquivos do autor:Renata Netto do Nascimento
acreditar no amor
As notícias das últimas semanas não têm sido fáceis… é marido drogando esposa para ser violentada por estranhos durante 10 anos, é agronegócio queimando floresta pra fazer pasto, é o movimento Trad Wives fazendo apologia saudosista à vida miserável das mulheres dos anos 50… Olha… Minha carteirinha de feminista chega a tremer! O livro “OContinuar lendo “acreditar no amor”
Que ainda é tempo pra viver feliz…
Eu, às vezes, tenho a sensação de viver congelada no passado… Coisas que aconteceram há muitos anos ainda ressoam como se fossem de agora. De repente, minha memória deixa de ser lembrança e passa a ser a própria contagem do tempo. Noutros momentos, quando o presente está muito intenso, tenho a sensação de que ChronosContinuar lendo “Que ainda é tempo pra viver feliz…”
Buscamos os irmãos pela vida afora
Parecidas na aparência, singulares na alma… O arquétipo fraterno é inaugurado na vida da gente através dos irmãos ─ ou mesmo dos primos próximos, para quem é filho único. Por serem parte integrante do núcleo familiar fundamental, esses nossos primeiros pares não nos passam indiferentes, nem nós a eles. São as primeiras relações horizontais queContinuar lendo “Buscamos os irmãos pela vida afora”
Migrante não tem trégua da saudade
Nem lá, nem cá… Nós migrantes estamos sempre entre 2 mundos, 2 gentes, 2 versões da nossa personalidade ─ ou até mais, dependendo da quantidade de pousos e adaptações que fizemos, hahaha… Não importa o quanto a gente crie raízes num lugar novo, as raízes originárias vão chamar “de volta”, pois há uma sensação deContinuar lendo “Migrante não tem trégua da saudade”
Habituada a me mover em pouco espaço
A bebê que fui aponta para a rua, chorosa, como quem pede para ser libertada da solidão de dentro do cercadinho. Apesar dos brinquedos disponíveis, o essencial estava fora de alcance: nem colo de mãe ─ que certamente estava às voltas com almoço e casa e filha mais velha indo para a escola ─ nemContinuar lendo “Habituada a me mover em pouco espaço”
eu não sabia que doía tanto uma mesa no canto
Falar da morte é tão difícil que até para o algoritmo a gente tem que disfarçar escrevendo m0rt3… Tentamos driblar o buraco que ela deixa através de várias formas: desde a fé no futuro reencontro de almas até a preocupação imediata e diligente com as providências a tomar para quem fica. Fazemos essa prezepada todaContinuar lendo “eu não sabia que doía tanto uma mesa no canto”
sonho e gargalhada são coisas muito sérias
Há quem infantilize os sonhadores e ache inconveniente quem ri alto demais. Pois em verdade vos digo que as pessoas mais prósperas que conheço sonham feito artistas e gargalham como Exu e Pombagira em dia de ritual de esquerda. Se “a tristeza é senhora” e precisa encontrar leito para desaguar “o pote até aqui deContinuar lendo “sonho e gargalhada são coisas muito sérias”
ah! bruta flor do querer
Os poetas e artistas são muito melhores em traduzir a dinâmica humana do que os psis e filósofos tentando explicá-la… Vou tentar Caetanear o que há de bom aqui: Às vezes queremos uma coisa e essa coisa não nos quer ─ Maria ama João, mas João ama Patrícia. Noutras vezes, queremos uma coisa mas tambémContinuar lendo “ah! bruta flor do querer”
energias selvagens para propósitos apaixonados
Tive esse insight numa leitura oracular na 6ª feira… O baralho era de Kali, o feminino sombrio do panteão Hindu. Esse arquétipo traz sempre alguma destruição, morte, finitude, queda, rompimento. Fala dquele tipo de vivência psíquica que confronta ego e self ─ quem pensamos que somos e quem realmente somos ─ e põe em causaContinuar lendo “energias selvagens para propósitos apaixonados”
o tanto que admiro meus analisantes
Escrevendo no diário clínico, me dei conta do quanto sou encantada pelos meus analisantes! Sim… Um gente corajosa, que se questiona, encara os fantasmas de frente apesar de todo desconforto que o processo terapêutico causa. Bancam a angústia lancinante que precede o fim de um ciclo de sofrimento, expandem sua visão de mundo e abraçamContinuar lendo “o tanto que admiro meus analisantes”
quem sou eu no meio de tudo o que faço?
Tanto que a gente faz e, na hora do “vamo vê”, ficamos na plateia… A gente estuda, pesquisa, procura, ensaia, planeja, visualiza, sonha, prepara, faz planilha, faz diagrama, faz mapa mental, faz carta ao futuro, compra mentoria de coach, lê livro de X regras pra tal coisa, faz pós-graduação, faz mestrado, faz mais um treinamento,Continuar lendo “quem sou eu no meio de tudo o que faço?”
tarot sem resposta
O que se pode, afinal, prever sobre o futuro? A palavra adivinhação vem do latim divinatio, refrente a DIVINO. Uma adivinha, então, é aquela pessoa a quem os deuses concederam o dom de saber o que eles preparam para os humanos. Esta é a lógica básica sacerdotal que, até pouco tempo atrás na história, eraContinuar lendo “tarot sem resposta”
Voltar a Escrever
Tenho sentido muita vontade de voltar a escrever. Mas escrever a sério, com regularidade e entrega. Só de escrever isso já vem logo uma pressão produtiva sobre a minha cabeça, definindo regras, procedimentos, periodicidade, disciplina, disciplina, disciplina… Essa palavra — disciplina — me ronda há tanto tempo… acho que desde que eu me entendo porContinuar lendo “Voltar a Escrever”
Onde ‘cê vai?
Calma.Bebe um chá.Passa um creme.Lê dois parágrafos de um livro que você gosta.Come uma fruta.Suspira três vezes com consciência. O que você está fazendo agora de tão urgente que não pode dar espaço para uns minutos de prazer necessário? As demandas importantes mesmo podem até nos cansar, mas não nos esgotam, pois trazem com elasContinuar lendo “Onde ‘cê vai?”
Terapeuta Vencido
Nas curas que proporciona, o psicoterapeuta é, por assim dizer, ele mesmo o remédio. E, nos melhores dos casos, quando tudo dá certo, ele acaba exatamente como um remédio que a gente usou e que fez seu efeito: uma caixinha aberta, com as poucas pílulas que sobraram, no fundo do armário do banheiro.
Querer Mudança Sem Mudar
Muita gente chega na terapia em busca de mudança mas com uma enorme resistência a mudar. Quando uma pessoa não está consciente de seu próprio centro, põe-se como centro do mundo, exigindo que a mudança aconteça em tudo e todos.
O que acontece na terapia?
Muitas coisas intensas… A começar pela relação paciente-terapeuta, a partir da qual a cura que todos buscamos tem alguma chance de acontecer. Aquarela é o que resultou de um exercício proposto pela minha professora de artes expressivas: escrever minhas iniciais no papel e, a partir das letras, desenhar alguma coisa e observar as letras desapareceremContinuar lendo “O que acontece na terapia?”