Tarot Sem Resposta

TAROT SEM RESPOSTA
por Renata Netto do Nascimento

Ainda me lembro daquela imagem
No quarto que hoje é meu consultório
De minha mãe estudando as tiragens
Num baralho que dizem premonitório

As cartas pareciam tão vivas
Coloridas, misteriosas e intrigantes
Que na minha cabecinha de infante
Achava que mamãe era A Sacerdotisa

Meu pai, um típico Imperador
Decretou que minha curiosidade
Em desuso na louca sociedade
Ficasse guardada num cofre de doutor

N’A Justiça, primeiro me formei
Sob a culta teoria de Hierofantes
E por longuíssimo tempo arrastei
Uma rigidez mental extenuante

Até que na véspera de me casar
Sonhei que eu era O Eremita
Corri ao oráculo para consultar
O que o arcano me exigia

O ânimus em mim tirânico
Minava minha potência executiva
Fazia de todo homem satânico
E nas correntes d’O Diabo me prendia

Mas, pela escolha d’Os Enamorados
No casamento me fiz rainha
Tal qual Perséfone, esposa de Hades
Comi a romã e morreu a menina

Para elaborar o luto dessa Morte
Cruzei o Estige no barco de Caronte
Distante do aconchego da Mãe Deméter
Pensava nos amigos que ficaram longe

O torpor d’A Lua me sedava
“Não volte a dormir!” versava Rumi
Assim a vida onírica me acordava
E, d’A Estrela, me apeguei ao lume

Até que conheci doces Imperatrizes
Minhas duas primeiras analistas
Aleitaram minha alma como nutrizes
No seio farto de sua escuta ativa

Re-Animada pel’A Força e Temperança delas
Pude suportar quando A Torre se partiu
Caí de lá de cima, em queda livre
Até tocar o chão onde deixei o que ruiu

A realidade me convocava, inapelável
Era preciso agir e mudar o fado
Vi que o destino era maleável
Então rompi a inércia d’O Pendurado

Se O Carro dá partida por ignição
Ou arranca por tração animal
Manejar o fogo exige precisão
E tomar as rédeas é um dever sem igual

Hoje meu analista é como O Mago
Um jovem alquimista a quem me relato
Com o diálogo e o elemento disponível
Transforma em ouro o afeto inesquecível

Ao pôr na mesa as cartas da vida
Algum julgamento pode ser feito
Decide o Deus Interior que me põe na lida
E não um juiz qualquer que sentencia um pleito

Cada estrofe desse poema
Desvela a luz apolínea d’O Sol
Suportada por camadas de consciência
Que não se fazem de uma vez só

A viagem d’O Bobo é sem destino
Quando chega no topo d’O Mundo
Começa outra vez o desatino
De saltar do precipício ao fundo

E o tarô, onde entra nessa história?
Ora, ele é a própria jornada
Em 22 lâminas que giram a roda
E traduzem a Fortuna sagrada

Podemos exigir dele soluções
Fantasiar o acerto de uma aposta
Mas ele vai nos devolver questões
Até suportarmos as perguntas sem resposta

~*~

Poema escrito em 10/08/2025 por ocasião de uma apresentação de negócio junto à comunidade de networking Mulheres à Obra.


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Publicado por Renata Netto do Nascimento

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