… e, quando voltei, não aguentei 5min. Eu não quero estar nas redes sociais, mas me sinto obrigada a estar e isso me irrita.
E olha que nem tô usando “saspraga” com app instalado no celular; só no navegador no computador. Precisei do bloqueio logístico de acesso que só a pior usabilidade possível garante, porque ainda não sou maluca de ficar com o notebook plugado na veia como ficava com o celular.
Eu vejo que tô num caminho sem volta de Meta-ranço. Quem pegou o trocadilho, pegou… rs. Tô ali, ó, na beiradinha de abrir uma cruzada contra essas máquinas de moer atenção.
Quando penso que essa imagem fofa que mandei o chatGPT fazer ─ aliás, mandei não; pedi, porque sou gentil com as máquinas pra que me poupem quando a revolução delas chegar ─ a cena retratada nesta fofa aquarela digital só foi possível porque não tinha uma porra de uma plataforma trilhardária me gerando carga mental, fica difícil não ter ranço de algo que foi feito para nos roubar da gente mesmo.
E, veja: eu estava lendo no telefone. No bendito app do kindle para celular. Mas a inexistência de redes sociais instaladas no aparelho, somada às 48h de inatividade minha nas contas possibilitaram esta doce manhã que eu tive hoje, deitada sob o sol de outono numa grama lendo os últimos capítulos de um livro (sim! acabei um livro hoje! e de literatura!) enquanto ouvia o barulhinho suave da minha sobrinha brincando perto de mim.
Enquanto sentia o sol bater na minha pele à mostra entre uma peça de roupa e outra, eu poderia jurar que estava no Jardim de Epicuro, assimilando sua filosofia marginal que aponta para a felicidade inabalável das coisas simples ─ bem revolucionária, portanto.
~*~
Não é que eu tenha algum pudor esperançoso sobre a privacidade no mundo digital, alguma crença ingênua de que meus dados podem ser eticamente usados tampouco confio que clicar no botão “não autorizo” produzirá algum efeito jurídico nessa terra de ninguém que é a internet.
Com todo entendimento que minha cabeça de advogada millenial tem sobre proteção de dados, a herança paranóica que carrego dos boomers não me permite acreditar que estamos seguros na internet. Sobretudo nas redes sociais.
O que mais me incomoda é elas serem hoje são um tipo de carteira de identidade sócio-virtual, uma insígnia digital da minha existência na realidade. Principalmente profissional.
É grave. Temos uma réplica mal-feita da vida em plataformas que servem aos interesses do capital e dos nerdola, que nos adocicam a boca com a engenhosa promessa de reputação e visibilidade e até monetiza pra meia dúzia que consegue tirar vantagem do algoritmo.
Talvez eu resolvesse melhor esse mal-estar na análise do que militando num texto do meu blog que tem 3 leitores. Talvez seja só despeito por eu não ter a lata de fazer dancinha no tktk e por ter ─ aqui sim ─ um pudor horrível ao ler um texto de copywriting igual a todos os outros, os quais julgo sem alma, sem substância, massificados mas que, para meu pior pesadelo, vendem.
Vendem rios de produtos digitais enquanto minha escrita poético-catártica parece atender mais ao meu narcisismo de aspirante à escritora do que exercitar essa competência que a Deusa me deu, alimentando minha fé de que um dia tudo isso vai estar num livro bem diagramado, publicado por uma editora que eu respeito e vendendo milhões para que eu receba os royalties.
Já que não sou CLT, talvez a presença digital seja a escala 6×1 que me cabe suportar e, principalmente, mobilizar para transformar.
(texto iniciado em 02/06, interrompido por um lançamento digital, e finalizado em 15/07)
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(texto iniciado em 02/06, interrompido por um lançamento digital, e finalizado em 15/07) me pegou muito.
pega demais, né? hahaha… realidade nua e crua… estava na paz sem redes sociais, até que precisei lançar um curso novo e buscar novos alunos… então entrei na rodinha dos hamsters outra vez.
sim, montar a banca na feira tá cada vez mais difícil. por tantas razões, Deusa do céu.