Andando pela vida ontem, vi essa bicicletinha rosa estacionada na beira de uma praia. Quis registrar a beleza dela.
Sei lá, achei simples e com uma cara de sossego.
Não o sossego de quem “tá com a vida ganha”, como se não houvesse preocupação alguma, mas o sossego de quem confia nessa aleatoriedade inteligente que governa a vida acima e além das nossas preocupações.
A bicicleta parecia nova e bem cuidada, estava encostada sem corrente nem cadeado, mostrando que quem a deixou ali bota fé na bondade dos outros.
Me recuso a pensar que isso seja inocência, ingenuidade… Acho que acreditar que o mundo é bom é a estratégia mais sofisticada que a psique tem pra fazer a gente viver de verdade.
A bicicletinha também me inspira movimento. Daqueles que a gente faz com o próprio corpo e esforço, sentindo no músculo o romper da inércia.
Com o condicionamento físico em dia, dá pra cobrir distâncias grandes pedalando. Bicicleta exige respirar direito.
E a cestinha na frente, pra carregar coisas? Acho a parte mais fofa da bicicleta. Faz lembrar a trouxinha d’O Louco do tarô, o arcano 0 que sai por aí sem rumo levando só o essencial…
Acho a cestinha feminina também… aquilo de mulher levar sempre os elementos necessários pra fazer alguma mágica de amor e cuidado.
E tem a garupa, né… Que leva gente se segurando meio bamba e coisa bem amarrada. Tudo pra não cair.
Tem caminhos que só dá pra percorrer solita e sem muita bagagem, mesmo.
Gosto dessas bicicletas não-atléticas, em que a gente consegue ficar com a coluna mais ereta, levando com a aerodinâmica em todo o tórax.
Afinal, só se pode desprezar a resistência do ar nos exercícios de física dos livros da escola.
Na vida ganha, lidamos com a resistência toda hora.
Por exemplo, fazia tempo que não brotava aqui escrevendo… Agora perdi o sono e parecia que as palavras ensaiavam qualquer coisa na ponta dos meus dedos – já que na cabeça elas estão sempre num espetáculo digno de palco, mas custam a sair.
Dizem que o ofício da escrita precisa de disciplina monástica – coisa que eu não tenho. Aposto mais na onda intuitiva que chega sem aviso e dura o tempo que eu aguentar pedalar… 🚲
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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