acreditar no amor

diogo nogueira e paolla oliveira fazem a gente acreditar no amor

As notícias das últimas semanas não têm sido fáceis… é marido drogando esposa para ser violentada por estranhos durante 10 anos, é agronegócio queimando floresta pra fazer pasto, é o movimento Trad Wives fazendo apologia saudosista à vida miserável das mulheres dos anos 50…

Olha… Minha carteirinha de feminista chega a tremer!

O livro “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, fica neon na estante, me chamando para uma releitura passados 10 anos, um casamento, um divórcio, uma migração, um retorno à terra brasilis e uma experiência antropológica no Tinder.

A autora martela com tudo na socialização feminina para o amor romântico que sustenta um modo de vida e relacionamento patriarcal onde quem está no centro da conversa é o homem (cis branco hetero cristão).

O amor, que é bom, segue como tópico acidental no assunto.

Enquanto pensadores tentam debater esse afeto, todo mundo segue nutrindo nalgum canto da alma o desejo profundo de amar e ser amado. E esse anseio tem muitas formas de se manifestar na realidade:

O arrebatamento que só uma paixão gostosa proporciona…
Um sexo que silencia o pensamento acelerado…
O bilhetinho carinhoso sem motivo específico…
A divisão das tarefas da casa depois de um dia cheio…
Em resumo, a paz de dividir a vida com quem nos quer apesar do nosso lado B e não foge à luta nos nossos dias ruins.
E a quem queremos desta mesma forma. Reciprocidade é importante.

Tudo muito bom, tudo muito bem não fosse a fantasia de que o relacionamento conjugal vai nos proporcionar tudo isso e mais: de que é este relacionamento que vai nos dar toda essa satisfação, para sempre e com uma qualidade padrão exportação.

Não vai. Lamento dizer, mas não vai.

Esse anseio de amar e ser amado por um alguém ─ aliás, por aquela pessoa que vai encarnar na Terra esse amor todo feitinho pra gente ─ vem cheio de expectativas e frustrações.

O outro é um mundo próprio, com desejos próprios e com uma rede de afetos própria que vai além desta relação conjugal que teimamos em pôr como núcleo da vida.

Enquanto nossa rede de afetos não estiver bem tecida com outros tipos de amor, o casal (ou trisal, ou outra configuração centralizadora e colonizadora de afetos e desejo) vai sofrer (senão perecer) tentando suprir todas as necessidades emocionais um do outro.

Que o amor, nas suas múltiplas formas, possa ser o núcleo da vida e que as relações ─ sejam de que tipo forem ─ consigam gravitar em torno dele, não o contrário.

P.S.: escolhi a foto da Paolla Oliveira e do Diogo Nogueira porque acho que, dos famosos, eles são um casal bastante real dos dias de hoje 🙂

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Publicado por Renata Netto do Nascimento

Terapeuta

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