Nem lá, nem cá… Nós migrantes estamos sempre entre 2 mundos, 2 gentes, 2 versões da nossa personalidade ─ ou até mais, dependendo da quantidade de pousos e adaptações que fizemos, hahaha…
Não importa o quanto a gente crie raízes num lugar novo, as raízes originárias vão chamar “de volta”, pois há uma sensação de lar incomparável que só o berço proporciona.
Não importa o quanto a gente volte pra “casa”, a memória daquilo que aprendemos a amar do outro lado vai ativar o sistema límbico e nos lembrar que casa é uma coisa dentro da gente.
Bilíngues emocionais, nosso pensamento se organiza em línguas diferentes, mas que se complementam na hora de expressar o vazio que ficou por termos deixamos os nossos noutra geografia.
Da última vez que estive no Brasil, concluí que uma das coisas que faz o avião ficar no ar é a vontade de fazer o amor chegar no seu destino.
Agora que estou aqui, e ando oxitocinada do amor da minha família, me peguei ouvindo fado às 7h da manhã numa terça-feira em que acordei querendo ver o Tejo.
Nós, migrantes, não temos descanso da saudade… Estamos sempre sentindo falta de alguém ou de alguma experiência.
Podemos ter muitos lugares PARA voltar, mas nunca temos COMO voltar.
Porque nesse “presente contínuo cambiante” (vide Maturana), já não somos os mesmos de antes. Temos que sempre re-conhecer os lugares para nos reconhecermos neles.
É sempre uma nova migração, uma nova jornada pra Alma vir à tona e nos tornarmos quem realmente somos.
Tem angústia? Tem muita. E no dia que inventarem um jeito de estar em 2 lugares ao mesmo tempo, acaba essa angústia.
Mas também acaba a graça de experimentar tantos horizontes, tantas gentes e tantos afetos e alquimizar tudo isso no ouro da individuação.
Um abraço migratório,
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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