Tive esse insight numa leitura oracular na 6ª feira… O baralho era de Kali, o feminino sombrio do panteão Hindu. Esse arquétipo traz sempre alguma destruição, morte, finitude, queda, rompimento.
Fala dquele tipo de vivência psíquica que confronta ego e self ─ quem pensamos que somos e quem realmente somos ─ e põe em causa os limites impostos pela censura da moral, trazendo à tona a potencialidade envergonhada.
Somos um sistema feito para operar harmonicamente, em constante alquimia de opostos. Cada propósito “espiritual” PRECISA da selvageria “material” que a sombra guarda.
Então este arquétipo mexe com as forças contidas em cada célula do baixo ventre, ligadas à sobrevivência, à vida material, a las ganas, aos instintos, from the guts, de onde vêm a capacidade de concretizar as coisas.
Para nós ocidentais é muito difícil entender isso, porque nosso paradigma cartesiano/kantiano traz a separação corpo-mente e o imperativo categórico da moral. Então, vemos tudo como “corpo contra a mente”, “matéria contra o espírito”, “bem contra o mal”…
Todas as leis, normas, regras e ciências que hoje nos conduzem socialmente nasceram deste modo de pensar e nos atravessam a todo momento, produzindo o quê? Divisão interna ─ não se pode ir atrás de um propósito apaixonado porque ele vai ativar coisas que a moral julga animalescas e que devem ficar muito bem guardadas.
O que a psi-analítica propõe é a integração destes anjos e bestas dentro da gente, de tal maneira a fazermos as pazes com a neurose e trabalharmos com ela no caminho permanente da individuação.
Se a neurose nos faz apaixonados por certos propósitos, é porque precisamos da paixão para lembrar que há muita potência guardada naquilo que fomos proibidos de amar.
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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