Dançar as Mágoas

‘Cês ficaram preocupades com os posts melancólicos, né?

Antes de fazer mais uma provocação reflexiva, quero acalmá-les, dizer que tô OK e agradecer pelo carinho, pelo cuidado e pelas trocas genuínas que a partilha de vulnerabilidade gerou…

Se é para criar conexão com as pessoas que me lêem, que essa conexão se estabeleça a partir do que há de mais humano em cada pessoa.

Se eu me proponho a fazer um trabalho, procuro fazê-lo pessoal e Pessoanamente: ponho tudo quanto sou em tudo quanto faço, porque nada meu exagera ou exclui.

É interessante ver, nas redes e nas sessões, como as pessoas estão fartas dos combos motivacionais plastificados, das receitas prontas que nada dizem da realidade singular de cada um e do esvaziamento de sentido de palavras como performance, desempenho, objetivos e resultados.

Então, agora eu lhes provoco com esses 2 vídeos de momentos meus SUPER alegres. Alegria genuína, mesmo. Quem me conhece sabe que o melhor de mim vem à tona num momento de dança livre. Ainda mais num samba ou dança do ventre.

A tristeza escancarada assusta, porque ela é como um porão cuja porta foi aberta e deixada aberta. Mas ela nos humaniza. A dor nos iguala em humanidade.

Contardo Calligaris diz, em “Cartas a Um Jovem Terapeuta”, que um bom analista precisa ter “uma simpatia (senão uma atração) pelas sarjetas do mundo”.

Isso porque as emoções e ideias menos “exibíveis”, nessa teologia da felicidade que assola a contemporaneidade, são relegadas a esse porão onde só entra quem não tem receio de mexer no (próprio) lixo.

Em análise, falamos das inutilidades, dos acúmulos. Falamos da nossa não-performance. Análise não tem objetivo algum, exceto ativar o desejo sufocado pelo entulho que trancamos a sete chaves abaixo do chão mas que teima em retornar em forma de barulhos, odores, sonhos, mofo, umidade, poeira, atos falhos e repetições…

Entulho no porão que afeta as estruturas.

Entulho que impede os afetos de circularem.

Então, a alegria, essa que vocês gostam de ver, é enzimática dos desafios da vida ou é a porta do porão?

A minha, eu lhes garanto, é metabólica.
Danço (escrevo e canto) todas as minhas dores e tristezas.

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Publicado por Renata Netto do Nascimento

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