Tava falando com uma amiga ontem sobre ‘manter a sanidade’. Ela me disse que tem uma liberdade que a gente só experimenta no perrengue. Fiquei pensativa…
Num mundo cheio de te(n)sões entre nossos desejos e nossos limites, a tal da saúde mental ganha dimensão e perde contorno.
O que é ser são? Pergunto não em nome d’uma relativização generalizada e infantil, mas por uma desobediência que faça voar.
Na beirada da grade do meu terraço, faço alongamentos e me vem uma vertigem acompanhada de prazer; um certo prazer estranho para quem tem medo de altura.
Não, não é ideação suicida. Minha relação com a vida é libidinal… Constrói mundos… ⚧️
Sinto o convite para saltar e, nesse salto, repensar padrões, respostas, garantias e controles. Nesse salto, deixar cair vergonhas, medos, culpas e mágoas.
De uma certa (e correta) sensação primitiva que Freud chamou de oceânica, onde éramos onipotentes e onipresentes (e talvez oniscientes), surge o desejo pela perda temporária de contornos, como se pudéssemos voltar a essa sensação primitiva.
Mas, o real se impões com seus travões:
O amor não correspondido.
A ideia engavetada.
O não dos “stakeholders” (ai, como ela tá corporativa)
A expectativa frustrada.
O limite do chão duro ao final da queda-livre.
Não podemos voar e ainda assim queremos saltar. Então, arrumamos coisas que tornem isso possível: para-quedas, aviões, cordas elásticas, amortecedores infláveis e redes de proteção.
Manter a sanidade parece ter tanto a ver com as tradições como também com as traições que praticamos. A propósito, recomendo a leitura de “A Alma Imoral”, de Nilton Bonder.
Tudo em nome desse salto. Os alongamentos, o terraço, o vôo e a vida.
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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