“Você se permite ser nutrida?”
deméter
Ora bem, depois de atender a quatro mães hoje, eu falaria de Deméter mesmo que não tivesse planeado dedicar esse dia à deusa da maternagem.
Filha do tempo (Chronos), Deméter é diferente de Gaia – a terra radicalmente fecunda – e nos dá o alimento na medida de nossa capacidade de “agriculturar” o solo, trabalha-lo com nossos dons, ferramentas e recursos. Ela nos nutre tanto quanto nós nutrimos a terra para os resultados que queremos.
Ao escutar as mães que me chegam no meu coachitório, sinto-me atravessada pela força e pelo preço civilizatório que Deméter representa: as mães, tanto como os alimentos, são tidas como de domínio público; docilmente sujeitas, portanto, à opinião d’O Outro.
Se Deméter é o arquétipo que inspira a capacidade de nutrir, assim entendida como o cuidado com todos os seres pequenos e/ou frágeis (como sementes, plantinhas e filhotes), ela é a Grande Mãe que cuida não só dos seus filhos, mas também dos filhos de todas as outras deusas.
Os paridos por Hera para perpetuar a descendência, os que são fruto do amor ardente e desavisado de Afrodite, os projetados por Atena para defenderem a nação, os nascidos de Ártemis e deixados assim um bocado soltos demais e os filhos de Perséfone que vez ou outro precisam de um alívio do mundo infernal da mãe – todos esses são um pouco filhos da Grande Deméter.
Nesse sentido, com uma interferência aqui, uma invalidação ali, uma comparação acolá a nossa capacidade de nutrir passa de uma relação entre dois seres (ainda que haja vários filhos ou sementes, a relação com cada um é super individualizada) para uma relação com toda a sociedade.
E assim a nossa capacidade de (se) nutrir forja-se, na nossa cultura, como assunto onde toda a gente pode opinar mas nem toda a gente está disposta a sujar-se de terra para se dedicar à qualidade do resultado, que nunca é garantido, diga-se.
O que Deméter vem nos convidar a fazer hoje, na trilha dos últimos textos, é nos permitirmos sair da posição de “somos sozinhas e temos de fazer tudo sozinhas” para a posição onde nos autorizamos a dizer “precisamos de ajuda para cuidar de todos esses bebês – lógicos e simbólicos – que temos para cuidar” e a pedir ajuda.
Fecho essa Jornada com esse apelo à Função Materna da nossa cultura para apoiarmo-nos umas às outras; para, em conjunto, construirmos o ancoramento necessário para viabilizar os recursos para fazermos de 2021 um ano com melhores escolhas.
Neste sentido, no próximo domingo, dia 20/12, haverá uma MASTERCLASS GRATUITA, apenas para a comunidade que já começou a se formar – inscritas por e-mail e/ou no grupo do Telegram – com um apanhado geral do conteúdo da Jornada e ferramentas práticas para exercitar o aprendizado e reencontrar as deusas dentro de nós.
Um abraço quentinho,
Renata Netto
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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