“Você sente que o mundo lhe deve algo?”
PERSÉFONE
O texto de ontem teve uma grande repercussão porque falei que as causas da sobrecarga da mulher são a irresponsabilidade de terceiros perante ela e a falta de rede de apoio.
Depois de uma troca de ideias riquíssima com mulheres da comunidade virtual onde publiquei, me dei conta de que essa é uma forma desempoderadora de colocar a questão.
Por outro lado, veio a calhar essa minha visão parcial porque formou o link perfeito com a mensagem de Perséfone, hoje. Realmente, nada no nosso discurso é por acaso…
Vimos nas etapas passadas da Jornada que ela se faz Senhora do Inferno depois de atravessá-lo com a coragem da verdade. Pois bem. Nesta fase, ela nos desafia a bem lidar com a nossa castração. Explico, já já, esse termo psicanalítico.
A pergunta que a Rainha do Submundo nos faz é dessas que, completando o convite de Hera, nos faz passar logo do poder para a potência.
Quando foi raptada e violada por Hades, Perséfone comeu o fruto do conhecimento – a romã – carregado de sementes de sabedoria e assumiu-se como governante do reino que lhe roubou a inocência.
Ao fazer isso, ocupa a posição da vítima desvitimizada. Da agredida não-martirizada. Luta o bom combate que torna aquilo que arrasou com a vida que conhecia e lhe cortou fora os sonhos de menina, o caminho para fazer valer a potência que aprendeu a desenvolver. Faz, portanto, da castração o seu poder.
E que poder é esse? O poder de viver como quem está quite com o mundo, sem o peso de ser a credora que tem de ir atrás dos seus devedores, refém das expectativas de que alguém deve lhe pagar algo.
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
Para iniciar seu processo terapêutico comigo, envie uma mensagem:
Sua mensagem foi enviada
Descubra mais sobre Renata Netto do Nascimento
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.