Rainha Visionária

“Não dou um passo sequer sem consultar meus oráculos e meus guias espirituais.”

s., 36 anos

Que mulher nunca duvidou da sua intuição? Nossa protagonista de hoje é Perséfone, a deusa que, depois de ser raptada e estuprada pelo governante das sombras, desenvolveu o sexto sentido e se fez rainha consorte do mundo avernal.

A Donzela adolescente que colhia narcisos virou uma grande Mulher ao construir um poder psíquico tão profundo e de tão largo alcance, que o patriarcado tem feito de tudo para marginalizá-la da cultura e confiná-la nos porões do biopoder, rotulando de delírios as suas (sábias) visões.

Perséfone torna-se Soberana do Submundo, grande representação do inconsciente, onde não se pode olhar com os olhos tampouco ouvir com os ouvidos e ainda assim vê-se e escuta-se tudo que é mais importante.

Se podemos extrair do seu mito uma lição central aqui para nossa reflexão, é a da necessidade de atravessar o próprio inferno, abrir o corpo e a alma para encarar as nossas limitações da consciência e dar espaço para os sentidos mais sutis e intuitivos. Quando ela aceita esse poder inalienável, torna-se senhora daquele a subjugou e reina sobre um mundo no qual aprendeu, pelos seus próprios meios, a transitar e operar com maestria.

Encontramos essa deusa nas psicanalistas, nas terapeutas holísticas, transpessoais, jungianas, nas benzedeiras e nas médiuns. Podemos também perceber traços sutis da sua presença nas psicólogas e psiquiatras, mas nessas figuras ela se aliança com as feridas de Atena e Hera para operar um saber técnico e tornar funcionais indivíduos tidos como “desviantes” da civilização.

Desviada, a propósito, é a sua constituição primordial e condição essencial para reger um mundo completamente diferente. Não se pode apurar o poder do inconsciente sem cruzar as rígidas fronteiras da cultura, tampouco sem a flexibilidade de uma certa loucura… Nossa deusa atravessou um mundo do qual saiu com um ego realmente forte porque aprendeu a lidar com suas faltas.

Claro que uma figura com esse grau de poder não agrada às estruturas patriarcais condicionantes e, por isso, dois dispositivos articulados na civilização contribuem para minar o seu poder.

O primeiro deles é a indústria da cura – ou, numa versão mais vintage, a mercantilização da fé – que movimenta bilhões todos os anos e que beira o ridículo no manejo das questões do inconsciente, nos métodos de “tratamento” do sofrimento humano, comprovadamente ineficazes ou mesmo prejudiciais, e na profanação de saberes e poderes ancestrais sagrados ainda incompreensíveis e na exploração da dor do outro.

O segundo, é o fundamentalismo religioso, que de tempos em tempos dá as caras (e as cartas) na cultura com maior ou menor violência, a fim de mostrar qual é a fé hegemônica e perseguir toda e qualquer forma de vida (e espiritualidade) herética, numa verdadeira caça às bruxas moderna.

Na contemporaneidade, vamos encontrar Proserpina ferida no papel daquela mulher que SABE de sua força pulsional poderosa mas que precisa de validações externas até mesmo para acessar seus conteúdos visionários. E essas validações vêm de “oráculos” e de “espíritos” que mais parecem opinar em sua vida do que reforçar-lhe o autoconhecimento.

  • Como ela pode confiar mais em sua intuição?
  • Como reinar num mundo sem garantias?
  • Como valorizar seu espírito visionário?

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Publicado por Renata Netto do Nascimento

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