“Não consigo dizer o que penso para o meu chefe.”
j., 40 anos
As introvertidas sobem ao palco para começarmos a segunda etapa da nossa Jornada.
Juntamente com Afrodite e Perséfone, Ártemis padece da alienação operada pelo patriarcado porque não “aporta valor” à produtividade como Atena, nem às tradições como Hera e nem à procriação como Deméter.
A deusa que dá nome à artemísia simboliza uma jovialidade e um vigor físico invejáveis e traz em si uma espécie de androginia que a torna muito, quiçá totalmente independente das relações amorosas (exceto daquelas com plantas e animais).
Quando ela está ferida, entorpece-se pelo isolamento no seu próprio mundo selvagem campestre, e acaba por ficar um bocado presa ali, sem identidade para transitar na cidade.
Pensando Ártemis num contexto profissional da contemporaneidade e fazendo um paralelo com a sua deusa irmã, Atena, também representante do eixo independência na nossa Roda das Deusas, é preciso falar de assertividade.
Enquanto Minerva não se constrange por um segundo sequer diante de um superior (se é que a a superior não é ela mesma), Diana treme nas bases para dizer o que pensa, o que sente, o que deseja e o que precisa.
Essa lacuna em sua individualidade, que é arquetipicamente forte, torna-a demasiado vulnerável a presenças masculinas e/ou figuras de autoridade, pois carece dos dispositivos das deusas extrovertidas – firmeza de Atena, sensualidade de Afrodite e articulação de Hera – para “driblar” a estrutura patriarcal.
Veremos, mais adiante na Jornada, que ela se sente uma eterna adolescente diante da vida. E, como a infância e a adolescência irritam o patriarcado, já que são períodos da vida em que estamos totalmente livres, criativas, conectadas com nossos corpos em crescimento constante e não tememos desafiar a cultura ao menor sinal de imposição contra nossa potência, imaginem como Ártemis, a eterna donzela, se sente deslocada.
Crescemos cronologicamente e entramos no jogo civilizatório sem nos darmos conta. Mas Ártemis nota. A cada ano que se passa, cada exigência de parecer uma mulher adulta lhe reduz o oxigênio para respirar.
Ela tenta se adequar, usa terno, salto alto e machuca seus pés, escolhe carreiras dignas de Atena, casa-se de papel passado e tudo mais numa cerimônia digna de Hera, mas ela sabe clara e detalhadamente que está negociando a sua liberdade. E sofre profunda e continuamente por isso.
- Como Ártemis pode utilizar seus instintos selvagens para brilhar na civilização?
- Como pode preservar a sua necessidade de retiro e individualidade sem se alienar?
- Como pode comunicar-se como adulta, preservando seu espírito jovem?
Um abraço carinhoso,
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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