100% das clientes que chegam às minhas sessões trazem algum incômodo ao se darem conta de que são mulheres vivendo num mundo de homens.
Antes de pensar que isso é vitimização ou que é apenas ressentimento que reforça a “guerra dos sexos”, eu convido você a refletir rapidamente comigo sobre um assunto que pede a nossa mais ampla consciência.
Com o advento do patriarcado politeísta, aquelas sociedades que falamos no post anterior tiveram suas grandes divindades femininas repartidas em “personalidades divinas”. Com a fundação do monoteísmo, o aniquilamento dessa força una chegou ao seu ápice e foi reduzida às lides reprodutivas e domésticas.
Nesse contexto fragmentado, algumas mulheres sentem-se marginalizadas, não importa o quanto se esforcem para se adequar ao contexto. É uma licença maternidade curtíssima, um silenciamento aqui, um assédio ali, uma exigência de “domínio emocional” quase nunca praticado por aqueles que o exigem…
Outras, sentem-se masculinizadas, “desligando” o próprio corpo anos a fio com pílulas anticoncepcionais, deixando de lado o desejo de maternar para conseguir não só avançar, mas se manter numa carreira que não comporta “se ausentar demais do trabalho”…
Muitas, ainda hoje, só se sentem totalmente legitimadas e protegidas nessa cultura após o casamento, um dos dispositivos civilizatórios mais fortes que produzimos.
Independente do quadro, todas elas sentem como se fossem obrigadas a renunciar a alguma parte do seu Ser Mulher, sujeitando-se a algum desejo de algum homem para, afinal, conquistarem um lugar ao sol no patriarcado.
Na prática, homens e mulheres são diferentes e, apesar de o direito a igualdade estar escrito nas leis, não são tratados na medida justa de suas diferenças – daí, as desigualdades.
Isso porque, em nossa cultura, apenas uma parcela da população é considerada Humana em todas os aspectos dessa palavra e, portanto, merecedora das benesses da civilização.
Civilização essa que foi pensada, legislada, moralizada e articulada por homens, em favor dos homens. E tais homens são os brancos, cisgênero, heterossexuais, burgueses, cristãos, de linhagem europeia, neurotípicos e funcionais (e cientistas sociais estão aí para pontuar mais características dessa “casta”).
E para quê tantos rótulos? Porque somos seres de linguagem e é só depois de nomear os fenômenos que se verificam na realidade que nos apropriamos deles, decidimos o que fazer a respeito e, então, articulamos as ações transformativas.
⚜︎ Renata Netto do Nascimento – Psicoterapeuta Junguiana
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